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domingo, 6 de setembro de 2009

BIOSFERA Legislação Ambiental

Manifesto Lixo Eletrônico

por Diego Souza

Uma Comissão especial da Câmara dos Deputados está estudando o projeto de lei  tenta definir a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PL 203/91). Foi alterada a redação do artigo 33, que regulamenta a logística reversa e a reciclagem, o que retirou a menção aos produtos eletro-eletrônicos. Com essa alteração, o projeto de lei que tem como objetivo criar a Política Nacional de Resíduos Sólidos passa a ignorar a existência do lixo eletônico, problema crescente e de alto custo sócio-ambiental.

Por esta razão o Coletivo Lixo Eletrônico toma a iniciativa de pressionar os deputados para a re-inclusão dos produtos eletro-eletrônicos no PL 203/91 através da criação e divulgação do "Manifesto Lixo Eletrônico: pela inclusão dos produtos eletro-eletrônicos na Política Nacional de Resíduos Sólidos.

No site Lixo Eletrônico, você encontra o manifesto e todas as informações necessárias. Além de, é claro, o e-mail dos deputados que estudam o PL. Perceba que esta questão importante está circulando desde 1991. Faça pressão para que os parlamentares decidam a questão da melhor maneira e o mais rápido possível. Mais uma vez o endereço: http://www.lixoeletronico.org/manifesto

quinta-feira, 2 de julho de 2009

BIOSFERA Opinião

Tem que fazer doer no bolso

Por Diego de Souza

Beleza, tudo mundo fica revoltadinho porque o cara lá derruba a floresta, vende a madeira e planta soja ou cria gado no lugar. Quando saí uma reportagem denunciando, todo mundo pede cadeia, acha um absurdo. Mas uma questão sempre fica no ar: Quem consome a madeira tirada de maneira ilegal? E a soja? A carne e o couro?

Ou os cinco leitores do blog sabem realmente a origem do couro da carteira e do óleo de soja da batatinha frita?

Há um bom tempo que a pressão do consumidor ganha destaque e nos leva a uma maneira eficiente de combater o desmatamento. E o assunto ganhou corpo quando o Greenpeace divulgou um relatório intitulado “A farra do boi na Amazônia”. Nele, são listadas empresas que em suas cadeiras fornecedoras contribuem de forma direta para o desmatamento da Amazônia. Grandes frigoríficos como JBS Friboi, Marfrig e Bertin são citados e, por consequência, os clientes destes frigoríficos, como grandes cadeias de supermercados como Walt-Mart e Carrefour e marcas famosas como Adidas, Nike e Gucci.

A resposta foi rápida, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) anunciou um boicote à carne paraense. O grupo Pão de Açúcar foi mais longe e vai aumentar o rigor com a origem da carne que é vendida nas lojas da rede. A carne proveniente de região de desmatamento não será comprada. O rastreamento é fácil, feito pelo brinco que o boi usa . A Adidas já anunciou a mesma medida.

Mas talvez a medida mais interessante tenha sido a do IFC, braço financeiro à iniciativa privada do Banco Mundial, que cancelou um contrato com o Bertin. O frigorífico não vai receber US$ 30 milhões que tinha direito, além de ter que devolver os US$ 60 milhões já liberados. Ah, se fosse melhor divulgado os grandes financiamentos do Bradesco (o “Banco do Planeta”) e do Banco do Brasil naquela região.


O trigo tem que querer se separar do joio
Claro que os produtores, tão protegidos pela bancada ruralista do congresso (em especial a senadora Kátia Abreu, do DEM-TO) e pelo ministro Reinhold Stephanes, da Agricultura, espernearam. A entidade que representa os exportadores de carne, Abiec, ameaçou processar o Greenpeace. Segundo eles, o relatório não separa o joio do trigo. Alegam que existe gado criado com rastreabilidade e tecnologia e que esses "bons produtores" serão prejudicados.


O argumento pode parecer válido, mas contém pontos fracos. Um setor que tão rapidamente se adaptou a normas sanitárias para não perder o mercado internacional parece não ter a mesma competência (ou será vontade?) de investir em certificações ambientais.
Os produtores de cana-de-açúcar e soja já estão correndo atrás disso (os japoneses e europeus pegaram no pé deles). Os supermercados e as grifes também trataram de se livrar da bronca.
Como vocês cinco podem ver, a consciência ecológica pode ser despertada mais facilmente quando o bolso sente.


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Reúso de texto

Bom, já que fiz besteira e escrevi um parágrafo sem sentido e enviei para o Estadão (não vale como desculpa, mas recebi o dado 5 minutos antes do fim do prazo... hehehehe), Decidi arrumar o texto e coloca-lo aqui, porque achei um bocado interessante.

Aliás, parabéns Gaúcho, a sua pauta era muito boa mesmo e como você, quando não faz frufru, escreve muito bem, mereceu. heauhe

Aliás, se der tempo, pretendo aprofudar este assunto que é o reúso da água. Achei meio chatinho, sem ritmo, mas o último "Cidades & Soluções" tratou das iniciativas de Israel nesta área. Na agricultura, 90% da água vem do esgoto doméstico tratado. Acho que é isso, leiam.




Em Campinas (SP) a iniciativa de um lava-rápido mostrou que o investimento em economia de água e no saneamento básico refletem positivamente na saúde financeira de uma empresa. Localizado em um shopping da cidade, o lava-rápido Eco Wash funciona desde 2006 atendendo 1,5 mil veículos por semana. Uma estação de tratamento de esgoto, com capacidade de tratar 15 mil litros, reaproveita 80% da água utilizada na lavagem de um carro para uma futura lavagem.

O investimento do negócio foi de R$ 500 mil, e segundo o proprietário Thiago Salvador, no fim desde ano o capital investido deverá ser recuperado. O preço da lavagem simples é de R$ 23,00, no restante da cidade, varia entre R$ 10,00 e R$20,00. Ainda segundo Salvador, o lava-rápido gera uma economia de 60% no gasto com água, sendo que o metro cúbico (mil litros) de água vinda da concessionária custa R$ 2,907.

A lavagem de um carro usa 250 litros de água para ser realizada. Campinas tem uma frota de 400 mil veículos, a sétima do país, e calculando uma média de uma lavagem semanal por carro, são gastos 400 mil metros cúbicos de água por mês. São 4,8 milhões de metros cúbicos de água gastos com lavagens de automóveis por ano, a metade do consumido por mês no município.

No processo, o esgoto passa por uma camada chamada de SAO, que retira partículas grossas de areia e óleo. Depois cai em um reservatório que a trata em três processos: flotação por ar, biofiltração e filtração. Cerca de 20% do esgoto se perde, a evaporação é a proncipal causa.

Desde 2003, a lei municipal 11.831 obriga os lava-rápidos da cidade a tratarem o esgoto produzido. De acordo com o professor da Faculdade de Engenharia Ambiental da Puc-Campinas, Antônio Carlos Demamboro, isto é necessário por causa dos óleos e metais provenientes da lavagem do carro. "A estação de tratamento de esgoto é projetada para tratar resíduos domésticos e o que resta da lavagem do carro, além de ser impossível de tratar, dificulta o tratamento convencional", completou o professor.

A saída encontrada por alguns estabelecimentos para seguir a lei é armazenar o esgoto em tanques e depois pagar para que ele seja retirado e tratado. Depois a água tratada é despejada no sistema de esgoto da cidade. É o que fazia o Posto Pachá, que, devido ao custo da operação, deixou de realizar a lavagem de carros.

A Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de São Carlos (AEASC), fez um estudo com a experiência do Eco Wash. Concluíram que muitos empresários não enxergam a possibilidade de que o alto investimento, depois de um tempo, diminui os custos. Entretanto muitos estabelecimentos simplesmente não têm condições financeiras de implantar ou terceirizar um sistema de tratamento de esgoto. A AEASC recomenda que seja praticada a "aplicação de incentivos fiscais ou econômicos por parte das prefeituras", além de impostos mais caros para quem não faz o reúso da água.

Diego de Souza