quarta-feira, 18 de novembro de 2009

BIOSFERA Copenhague

Surge o G-2, e ele pode atrapalhar Copenhague

por Diego Geraldo

Se toda essa crise teve um lado positivo, foi o fim do poder político do chamado G-8 (Grupo formado pelos 7 países mais ricos mais a Rússia) e, com certa liderança do Brasil, analistas apontavam o G-20, mais amplo e democrático, como o sucessor natural. Aliás, o próprio presidente Obama disse que o grande canal de negociação mundial seria o G-20.

Obama é mais esperto que Bush, a política externa comandada por Hillary Clinton é muito inteligente. Os Republicanos defendiam uma política externa de conquista pela força. Vale lembrar que Bush deu de ombros quando a ONU condenou a invasão do Iraque. Os Democratas, preferem a negociação... a negociação que faz bem aos interesses norte-americanos, que fique bem claro. Ou você achou que presidente dos EUA defenderia outros interesses?

E essa viagem de Obama para para a Ásia deixou bem claro com quem os EUA querem negociar: com a China. Não existe projeto no mundo que dê certo sem a concordância das duas potências.

A China tem interesses em manter o cenário econômico estável, mas conforme suas vontades. Um exemplo é a valorização do dólar, que garante a competitividade dos produtos chineses, os empregos e o níveis de crescimento gigantes.

Para os EUA, vale manter os investimentos chineses que estão financiando a solução de Obama para combater a crise: gastança de dinheiro público. Desde que os juros sejam pagos, Hu Jintao não reclamará.

A China, devido aos seus problemas de disputas territoriais, não tem a tradição de se envolver nos problemas dos outros. E eles gostam de ser assim, se alguém pisar no calo, usa-se a economia para conseguir o que quer. Os EUA então continuam se colocando como donos do mundo, se metendo em todos os lugares. Mas a partir de agora só o fazem com o aval da China, porque o dinheiro gasto para comandar o mundo terá olhos puxados. Nasce o G-2.

E o que isso tem com Copenhague? Lula e seus amigos europeus podem espernear na Dinamarca, sem apoio do G-2, nada vale. São os dois maiores poluidores do planeta... e as duas maiores economias também.

O que vai determinar as intenções do G-2 no Encontro será a ida ou não de Obama para a reunião. Político nenhum, principalmente o popstar presidente norte-americano, dá notícia ruim. Ministro existe também para isso. Obama não vai até a Dinamarca para ser um vilão, se ele for, algo pelo menos razoável será apresentado pelo G-2.

E como fica o Brasil nisso tudo? Lula estava muito pressionado para estabalecer uma meta audaciosa, principalmente para frear o desmatamento. E a comunidade internacional gostou da proposta brasileira.

Caso a prosposta do G-2 seja muito boa, Lula saíra como o defensor da Amazônia, meio coadjunvante de Obama. Caso seja razoável, será apontado como um exemplo a ser seguido, junto com os amigos europeus. E na hipótese do G-2 ignorar o encontro, Lula volta para casa vestido de Pilatos. "Eu e Dilma fizemos o que podiamos, mas quem manda não quis, viu Marina? Lavamos as mãos".

2 comentários:

F. Fachini disse...

Gostei do "volta para casa como pilatos"... pois bem, acredito que as possibilidades apontadas no texto são praticamente "futuros possiveis fatos", mas me nego a acreditar que as duas potências não apresentem números significativos de mudança. Quanto ao Brasil, na voz de Lula, acho q estamos bem representados, ao menos nessa discussão.Mas, acredito, ainda, que pelo tom severo que Lula assumiu, pode ser que tenhamos um bom "cobrador" para as duas poténcias ficarem de alerta.

Luis Corvini Filho disse...

Ótima análise da nova realidade mundial. Realmente, por mais que briguemos, levantemos a bandeira, e gastemos nossa energia em prol do meio ambiente, estamos presos a grilhões perante às duas potências econopoluidoras mundiais.

Resta esperar para a COP-15, e pensar nas próximas reuniões sobre o clima? Tavez México em 2010?